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COR e LUZ: ALIANÇA FUNDAMENTAL NA DECORAÇÃO
A escolha das cores para um ambiente exige uma atenção especial: o
tipo de iluminação disponível no espaço em que serão utilizadas. A
cor da tinta selecionada pode sofrer uma substancial alteração
quando aplicada, em função do tipo de luz artificial de que se
dispõe no ambiente. Para alertar os consumidores, a Eucatex, um dos
maiores fabricantes de produtos para a construção civil e
proprietária de uma das mais modernas fábricas de tintas da América
Latina, buscou os conselhos do arquiteto e lighting designer
Alexandre Giovannetti, da empresa especializada em iluminação Luz
Urbana, de São Paulo.
A luz artificial interfere direta e totalmente na aparência da cor
da tinta, avisa Giovannetti logo de início. "Para começar, não
existe cor sem luz, portanto é fundamental considerar que, quando
escolhemos uma cor na cartela, estamos sob a influência de um
determinado tipo de luz. Na loja onde compraremos o produto, já
temos uma outra realidade e o local em que a tinta vai ser aplicada
poderá estar sujeito a um terceiro tipo de qualidade luminosa",
observa.
Segundo o arquiteto, a luz do sol é a principal referência de
fidelidade total de reprodução de cor. Com relação à luz artificial,
as lâmpadas incandescentes comuns são as que mais se aproximam da
primeira. "Temos três tipos mais conhecidos de lâmpadas: as
fluorescentes, as incandescentes comuns e as incandescentes
halógenas, que são a evolução da lâmpada incandescente comum, e
dentre os vários tipos existentes a mais conhecida é a dicróica.
Nesses três tipos temos boas qualidades de reprodução de cor da luz.
Cada uma delas reproduz melhor ou pior as cores, ou seja, a
tonalidade da cor da tinta muda em função da capacidade da lâmpada
em reproduzir as cores".
Dessa forma, o arquiteto frisa que o importante é a percepção de que
essa influência existe. E aconselha: "ao escolher uma cor de tinta
na loja ou no catálogo, certifique-se de que ela seja selecionada e
aplicada sob o mesmo tipo de lâmpada, ou esteja consciente de que
haverá mudanças".
O assunto, segundo o arquiteto e lighting designer, é muito vasto.
Especialista nessa área, ele informa que a cada dia cresce o
interesse de profissionais como arquitetos e decoradores, e mesmo
consumidores comuns, em se informar sobre a qualidade da luz, seja
ela natural ou artificial, antes de começar a pensar na escolha de
cores das tintas, nas paredes, no piso, ou nos móveis.
Mas os avisos não param por aqui. Giovannetti explica ainda que há
outras formas de "intromissão" da luz. Como, por exemplo, no caso de
um quarto que tenha o teto pintado de azul e utilize iluminação
através de sancas. Como a luz é projetada para cima e ilumina o
quarto por reflexão, haverá interferência daquela cor da tinta do
teto por conta da reflexão da luz da lâmpada. Mesmo que essa emita
luz branca, o quarto terá uma aparência azulada.
Outra classificação se dá com relação às brancuras da luz
reproduzida pelas lâmpadas. As incandescentes comuns emitem
brancuras mais amareladas, portanto são consideradas brancuras mais
"quentes". Alguns modelos de fluorescentes produzem brancuras bem
azuladas e por isso são classificadas como brancuras "mais frias".
Segundo Giovannetti, a partir dessas duas variáveis "a capacidade de
reproduzir as cores e a variação de brancuras" estabelece-se um
importante vínculo comportamental, pois a luz provoca reações nas
pessoas, desde calma e aconchego até excitação. "Para ambientes
residenciais ou corporativos, a consideração do tipo de luz a ser
usada passa também pela preocupação com relação a comportamentos, ou
seja, é possível provocar calma ou agitação com o uso correto do
tipo de luz", adverte.
Se em um escritório o importante é "agitar" os funcionários, a opção
deve ser por uma brancura mais azulada (fria). Se a proposta, por
outro lado, é tranqüilizar, como num restaurante, por exemplo, a luz
deve ter uma brancura mais amarelada (quente). "Ou seja, a escolha
do tipo correto de luz é tão importante quanto a escolha correta das
cores na busca por um ambiente saudável". Mas há ainda um outro
detalhe, avisa Giovanetti: "cuidado com observações por fotos, pois
nossos olhos enxergam as cores diferentes do que fazem as câmeras
fotográficas", finaliza.
Fonte: http://www.revistasim.com.br/ |